"Vi em Roma, uma cidade de pescoços á espera que eu os mande cortar" - Caius Caligula

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Governo Activo Sodomiza Tugas Passivos

 A nova acção de sodomização por parte do Governo de Portugal, acaba de ser anunciada.
Cortes entre 3,5% e 10% no pacote salarial dos funcionários públicos que ganham acima dos 1.500,00€.
Aumento do I.V.A e redução dos benefícios fiscais – Para mais uma vez, TODOS pagarem a crise.
Redução da contratação pública – Para engordar as filas dos Centros de Emprego.
Redução das prestações sociais – Para os mais pobres contribuírem para resolver as asneiras criadas pelos mais ricos.
Aumento da taxação pública (Taxas de Serviços Públicos).
Revisão do Sistema de Coimas.
Corte de despesa de 20% com a frota automóvel do Estado.
… E por aí fora!
Quer isto dizer que, embora a 1ª medida de cortes salariais não possa deixar de ser compreensível, mais ainda quando só afecta quem ganha bem mais do que a média dos portugueses, tudo o resto afecta TODOS.
Se juntarmos a isto, o cancelamento da comparticipação total dos medicamentos para os mais necessitados (anunciada bem antes deste pacote, porque é das mais impopulares e iria imprimir um tom ainda mais negro a esta última conferência de imprensa), temos a receita perfeita para mais falências, aumento do desemprego, mais, e mais generalizada, pobreza, mais bancos de jardim a servir de casas e mais crime, mais violência.
E isto chega? Ninguém sabe…
Mas todos sabemos que não há limites para o que o Governo nos rouba. O cinto do povo tem quase infinitos furos…
O que eu continuo a achar, é que já é quase milagre que ainda não tenha havido um banho de sangue neste país…
Mas esse banho de sangue virá! É tudo uma questão de tempo… O povo é sereno, mas o povo, um dia, chateia-se!
PS – O último aumento de IVA apenas serviu para ajudar a pagar um dos Submarinos do Portas. Estes novos 2% vão pagar o quê? A pista principal do novo Aeroporto, ou uma ou duas composições do TGV?

domingo, 19 de setembro de 2010

Oktoberfest - Nem Só os Tugas são Idiotas


Pela primeira vez na história, o Oktoberfest - Festival de Cerveja de Munique, abre as suas portas com a proibição de fumar no interior dos gigantescos recintos onde decorre.

Num local, onde as autoridades se preocupam com os cigarros que se poderão fumar, mas não com as litradas que se podem beber e suas consequências igualmente maléficas para a saúde, existe agora uma preocupação acrescida...
Como disfarçar o mau odor da cerveja morta, do suor, do chulé, dos grelhados e fritos que paira no ar, antes disfarçado pelo perfume do cigarro?
Estão a recorrer a "bactérias" especializadas. Ora aqui está uma exemplar aplicação de produção biológica para "controlo ambiental".
No entanto, não é o suor, nem o chulé, nem o odor a fritos e grelhados, nem tão pouco a cerveja morta, que me traz a este artigo.
O que me fez escrever isto, é a escandaleira em que se encontra o meu raciocínio lógico, por privarem os fumadores de saborearem o seu pequeno prazer em conjunto com a cerveja, vendendo esse verdadeiro atentado ao fígado, vesícula, cérebro, pâncreas e estômago, aos hectolitros.
Atenção.... Nada contra uma boa cerveja (adoro) e também nada contra um bom cigarro( Principalmente SG Ventil)... Só não entendo que se faça de um produto igualmente nocivo (porque não se bebe só um copinho...) um Festival, enquanto se proíbe o outro....
Interesses económicos? Claro.... Tudo o que mexe no dito "mundo civilizado", é por interesse económico de alguém.
Tradição? Bem.... Desculpa muitas atrocidades, como touradas e afins... Porque não, desculpar esta incongruência também...
Quanto a mim, não dispenso um bom cigarro a acompanhar uma boa cerveja. 
Como tal, I'm Out!!!!!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ainda Quero Acreditar...

Que José Sócrates há-de acabar os seus dias numa cama de um lar de terceira idade imundo, a cheirar a mijo e a ser alimentado por sondas, sem poder tocar na reforma que vai direitinha para a instituição que o aturará nesses últimos dias... 30% para os gastos com fraldas.
Que Teixeira dos Santos há-de acabar a mendigar à porta do Metro e ninguém lhe dará um cêntimo;
Que Augusto Santos Silva será sepultado no fundo do oceano, encaixotado num dos seus submarinos milionários que irá submergir para não mais vir à tona, um dia em que ele esteja a bordo;
Que Rui Pereira será raptado por um bando da Cova da Moura e imolado bem no meio do bairro por 10 negros de 30cm cada um;
Que Alberto Martins, acabará os seus dias preso preventivamente por um crime que não cometeu;
Que António Serrano será envenenado por mercúrio depois de ter sido obrigado a comer 10 quilos de sardinha espanhola;
Que António Mendonça acabará desmembrado por um qualquer TGV;
Que Dulce Pássaro será mergulhada durante 20 minutos, sem poder vir à tona, no meio da Lagoa de Albufeira, depois desta ser alvo de despejo de resíduos tóxicos;
Que Helena André ficará sem emprego, passando o resto dos seus dias a viver do Fundo de Desemprego, do Rendimento Social de Inserção e sem esmolas complementares;
Que Ana Jorge sofrerá uma amputação aguda com indícios de septicémia a 5 horas de carro do hospital mais próximo;
Que Isabel Alçada será abandonada no meio de uma centena de estudantes universitários embriagados em plena festa académica, depois de passar no meio do cortejo, bem ao lado do carro da Agronomia, que a brindará com arremessos de bosta de porco;

Sonhar é fácil e (ainda) é de borla....

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O Poder do Vernáculo!

Ele há lá coisa melhor, para desopilar os fígados, abrir a luz ao horizonte, descomprimir e baixar a tensão arterial, do que soltar uma boa caralhada de vez em quando ou, quando o excesso de stress o exige, bem mais amiúde?
Não há nada,  absolutamente nada mais libertador, do que soltar um simples e exclamativo "Foda-se", ou mesmo acabar uma frase com "vírgula, Foda-se"!
A quantidade de energia libertada neste simples acto oratório, é quase tão grande e intensa, como chamar o falo do sujeito em vez do sujeito propriamente dito, como por exemplo, "O Caralho do Portas, ou o Caralho do Marcelo..."... Ou até mesmo "O Caralho do Sócrates"!!!
Pessoalmente, sou um adepto incondicional da utilização deste tipo de vernáculo em jeito de terapia comum...
Acho que quem diz "foda-se" ou "caralho", vive tão mais tempo, quanto a frequência com que solta este substancial "drunf", quer em jeito de sujeito em si, como em jeito de verbo (Verbo Caralhar).
Não se entende no entanto, o acto quase instintivo de comparar o pai da humanidade às coisas mais funestas, vejam-se os exemplos "É fodido pra caralho", "É mau como o caralho"...
Já o enviar o oponente para o seu progenitor, parece-me mais provido de lógica, pois é enviá-lo às origens e como tal, quase dizer-lhe que não devia de ter vindo por aqui (Vai pró Caralho, ou mesmo, Ide para o Caralinho). No entanto, não tem a força da remessa para a "Cona da mãe"... Fenómeno ainda por interpretar...
Devia de ser ao contrário. Afinal, é mais fácil caber-se na cona da mãe, que no caralho, mas enfim... Meras questões de física quântica...
Ainda, por outro lado, compreende-se a negatividade impressa á expressão "É fodido", principalmente quando dita por um macho... Penso que neste ponto, não necessito de explanar a questão aos homens. Todos eles de uma forma geral, instintivamente, compreendem o significado.
Agora vou-me por no caralho, que acabou a hora do almoço e preciso de continuar o trabalho, foda-se!

Rentrée Política

Acabou-se o semi-sossego da época estival. O circo está a chegar ao Parlamento Nacional

sábado, 4 de setembro de 2010

O Que Mudou no Caso "Casa Pia", Desde a Leitura do Acórdão de Ontem

Desde o meio da tarde de ontem que:
As "Alegadas Vítimas", já podem ser chamadas de "Vítimas";
Os "Alegados Pedófilos", já podem ser chamados de "Pedófilos".
Os "Alegados Lenócitos", já podem ser chamados de "Lenócitos"
Em suma, já podemos esquecer a palavra "alegado" antes de cada adjectivo, sempre que nos referimos às partes opostas do processo judicial.
E é tudo...
Cerca de 4 horas de leitura de acórdão, apenas para isto.
Agora virão os recursos e os recursos dos recursos...
Quem estava preso, preso fica, quem estava à solta, à solta fica. Afinal "sem trânsito em julgado", cada recurso suspende a decisão judicial tomada e tudo se arrastará. A execução de penas não pode ser levada a cabo...
Tudo se arrastará e com o tempo que a nossa justiça leva e as possibilidades de recurso quase infinitas, tudo se irá manter até à prescrição dos crimes.
As idemnizações a pagar às vitimas estão suspensas por interposição de recurso, bem como as penas de prisão atribuídas.
O que todos prevíamos confere! Os pobres vão de cana, os ricos ficam de fora e, mesmo condenados a penas de prisão efectiva, conseguem, poucas horas depois da condenação, participar em debates televisivos sobre os casos em que acabam de ser julgados.
É Portugal no seu melhor que, nestas coisas de "Justiça", parece-se mais com um circo.
Mas eu não esqueci que de acordo com o que veio a público, os mesmos indícios que levaram alguns ao banco dos réus, deixaram alguns poderosos... ou com padrinhos poderosos, bem de fora e bem à margem de tudo isto.
Como gosto de chamar os bois pelos nomes, refiro-me a Paulo Pedroso, Freitas do Amaral... e muitos, muitos outros que continuam na sombra...
Daqui a 20 anos, voltaremos a falar sobre isto. Nada vai mudar até lá.

Ahhh. Ia-ma esquecendo... A dona da casa de Elvas foi absolvida... mas isso até parece insignificante... Tão insignificante que eu até me esqueci. Afinal, deu o tecto mas não comeu ninguém...




sábado, 28 de agosto de 2010

FMI - Fundo Monetário Internacional

Felizmente, há muitos que não se deixam enganar…
Interpretadores do passado e do presente… Visionários…
Pessoas com dois dedos de testa, que recusam a inclusão num grande rebanho mundial, liderado por meia dúzia de pastores sedentos de poder, dinheiro e sangue.
Pessoas que poderiam fazer a diferença e, dentro do que podem e sabem, bem o tentam…
Eu, tento com este blog que ainda (quase) ninguém lê…
Outros, com mais arte, lá se vão (ou iam) conseguindo fazer ouvir por mais gente e depois… depois têm a enorme e invejável capacidade de escrever autênticas obras de arte, para declamar e cantar, como por exemplo, a transcrita abaixo…
O texto, segundo o seu autor, “escrito de um só jorro”, numa noite de Fevereiro de 1979, espelha uma visão sem dogmas e sem preconceitos, sobre a ordem nacional e até mesmo mundial.
Está, obviamente, desactualizado nas personagens mas, mude-se o nome do Papa, dos grandes lideres mundiais, dos actores políticos nacionais e de uma ou outra telenovela e poderia ter sido escrito hoje…
Pois troquem um pouco do vosso tempo, pela leitura do texto abaixo e verão que não terá sido em vão. Tão-pouco, tempo perdido.



“Cachucho não é coisa que me traga a mim
Mais novidade do que lagostim
Nariz que reconhece o cheiro do pilim
Distingue bem o Mortimor do Meirim
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Há tanto nesta terra que ainda está por fazer
Entrar por aí a dentro, analisar, e então
Do meu 'attaché-case' sai a solução!


FMI Não há graça que não faça o FMI
FMI O bombástico de plástico para si
FMI Não há força que retorça o FMI


Discreto e ordenado mas nem por isso fraco
Eis a imagem 'on the rocks' do cancro do tabaco
Enfio uma gravata em cada fato-macaco
E meto o pessoal todo no mesmo saco
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Não ando aqui a brincar, não há tempo a perder
Batendo o pé na casa, espanador na mão
É só desinfectar em superprodução!


FMI Não há truque que não lucre ao FMI
FMI O heróico paranóico hara-kiri
FMI Panegírico, pro-lírico daqui


Palavras, palavras, palavras e não só
Palavras para si e palavras para dó
A contas com o nada que swingar o sol-e-dó
Depois a criadagem lava o pé e limpa o pó
A produtividade, ora nem mais, célulazinhas cinzentas
Sempre atentas
E levas pela tromba se não te pões a pau
Num encontrão imediato do 3º grau!


FMI Não há lenha que detenha o FMI
FMI Não há ronha que envergonhe o FMI
FMI ...


Entretém-te filho, entretém-te, não desfolhes em vão este malmequer que bem-te-quer, mal-te-quer, vem-te-quer, ovomalt'e-quer, messe gigantesca, vem-te vindo, vim na cozinha, vim na casa-de-banho, vim no Politeama, vim no Águia D'ouro, vim em toda a parte, vem-te filho, vem-te comer ao olho, vem-te comer à mão, olha os pombinhos pneumáticos que te arrulham por esses cartazes fora, olha a Música no Coração da Indira Gandi, olha o Moshe Dayan que te traz debaixo d'olho, o respeitinho é muito lindo e nós somos um povo de respeito, né filho? Nós somos um povo de respeitinho muito lindo, saímos à rua de cravo na mão sem dar conta de que saímos à rua de cravo na mão a horas certas, né filho? Consolida filho, consolida, enfia-te a horas certas no casarão da Gabriela que o malmequer vai-te tratando do serviço nacional de saúde. Consolida filho, consolida, que o trabalhinho é muito lindo, o teu trabalhinho é muito lindo, é o mais lindo de todos, como o Astro, não é filho? O cabrão do Astro entra-te pela porta das traseiras, tu tens um gozo do caraças, vais dormir entretido, não é? Pois claro, ganhar forças, ganhar forças para consolidar, para ver se a gente consegue num grande esforço nacional estabilizar esta destabilização filha-da-puta, não é filho? Pois claro! Estás aí a olhar para mim, estás a ver-me dar 33 voltinhas por minuto, pagaste o teu bilhete, pagaste o teu imposto de transacção e estás a pensar lá com os teus zodíacos: Este tipo está-me a gozar, este gajo quem é que julga que é? Né filho? Pois não é verdade que tu és um herói desde de nascente? A ti não é qualquer totobola que te enfia o barrete, meu grande safadote! Meu Fernão Mendes Pinto de merda, né filho? Onde está o teu Extremo Oriente, filho? A-ni-ki-bé-bé, a-ni-ki-bó-bó, tu és Sepúlveda, tu és Adamastor, pois claro, tu sozinho consegues enrabar as Nações Unidas com passaporte de coelho, não é filho? Mal eles sabem, pois é, tu sabes o que é gozar a vida! Entretém-te filho, entretém-te! Deixa-te de políticas que a tua política é o trabalho, trabalhinho, porreirinho da Silva, e salve-se quem puder que a vida é curta e os santos não ajudam quem anda para aqui a encher pneus com este paleio de Sanzala em ritmo de pop-chula, não é filho? A one, a two, a one two three

FMI dida didadi dadi dadi da didi
FMI ...


Come on you son of a bitch! Come on baby a ver se me comes! 'Camóne' Luís Vaz, amanda-lhe com os decassílabos que eles já vão saber o que é meterem-se com uma nação de poetas! E zás, enfio-te o Manuel Alegre no Mário Soares, zás, enfio-te o Ary dos Santos no Álvaro de Cunhal,zás, enfio-te a Natalia Correia no Sá Carneiro, zás, enfio-te o Zé Fanha no Acácio Barreiros, zás, enfio-te o Pedro Homem de Melo no Parque Mayer e acabamos todos numa sardinhada ao integralismo Lusitano, a estender o braço, meio Rolão Preto, meio Steve McQueen, ok boss, tudo ok, estamos numa porreira meu, um tripe fenomenal, proibido voltar atrás, viva a liberdade, né filho? Pois, o irreversível, pois claro, o irreversívelzinho, pluralismo a dar com um pau, nada será como dantes, agora todos se chateiam de outra maneira, né filho? Ora que porra, deixa lá correr o marfil, homem, andas numa alta, pá, é assim mesmo, cada um a curtir a sua, podia ser tão porreiro, não é? Preocupações, crises políticas pá? A culpa é dos partidos pá! Esta merda dos partidos é que divide a malta pá, pois pá, é só paleio pá, o pessoal na quer é trabalhar pá! Razão tem o Jaime Neves pá! (Olha deixaste cair as chaves do carro!) Pois pá! (Que é essa orelha de preto que tens no porta-chaves?) É pá, deixa-te disso, não destabilizes pá! Eh, faz favor, mais uma bica e um pastel de nata. Uma porra pá, um autentico desastre o 25 de Abril, esta confusão pá, a malta estava sossegadinha, a bica a 15 tostões, a gasosa a sete e coroa... Tá bem, essa merda da pide pá, Tarrafais e o carágo, mas no fim de contas quem é que não colaborava, ah? Quantos bufos é que não havia nesta merda deste país, ah? Quem é que não se calava, quem é que arriscava coiro e cabelo, assim mesmo, o que se chama arriscar, ah? Meia dúzia de líricos, pá, meia dúzia de líricos que acabavam todos a fugir para o estrangeiro, pá, isto é tudo a mesma carneirada! Oh sr. guarda venha cá, á, venha ver o que isto é, é, o barulho que vai aqui, i, o neto a bater na avó, ó, deu-lhe um pontapé no cu, né filho? Tu vais conversando, conversando, que ao menos agora pode-se falar, ou já não se pode? Ou já começaste a fazer a tua revisãozinha constitucional tamanho familiar, ah? Estás desiludido com as promessas de Abril, né? As conquistas de Abril! Eram só paleio a partir do momento que tas começaram a tirar e tu ficaste quietinho, né filho? E tu fizeste como o avestruz, enfiaste a cabeça na areia, não é nada comigo, não é nada comigo, né? E os da frente que se lixem... E é por isso que a tua solução é não ver, é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada, precisas de paz de consciência, não andas aqui a brincar, né filho? Precisas de ter razão, precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de Março, para os do 25 de Novembro, para os do... que dia é hoje, ah?

FMI Dida didadi dadi dadi da didi
FMI ...


Não há português nenhum que não se sinta culpado de qualquer coisa, não é filho? Todos temos culpas no cartório, foi isso que te ensinaram, não é verdade? Esta merda não anda porque a malta, pá, a malta não quer que esta merda ande, tenho dito. A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém, não é isto verdade? Quer-se dizer, há culpa de todos em geral e não há culpa de ninguém em particular! Somos todos muita bons no fundo, né? Somos todos uma nação de pecadores e de vendidos, né? Somos todos, ou anti-comunistas ou anti-faxistas, estas coisas até já nem querem dizer nada, ismos para aqui, ismos para acolá, as palavras é só bolinhas de sabão, parole parole parole e o Zé é que se lixa, cá o pintas é sempre o mexilhão, eu quero lá saber deste paleio vou mas é ao futebol, pronto, viva o Porto, viva o Benfica! Lourosa! Lourosa! Marrazes! Marrazes! Fora o arbitro, gatuno! Qual gatuno, qual caralho! Razão tinha o Tonico de Bastos para se entreter, né filho? Entretém-te filho, com as tuas viúvas e as tuas órfãs que o teu delegado sindical vai tratando da saúde aos administradores, entretém-te, que o ministro do trabalho trata da saúde aos delegados sindicais, entretém-te filho, que a oposição parlamentar trata da saúde ao ministro do trabalho, entretém-te, que o Eanes trata da saúde à oposição parlamentar, entretém-te, que o FMI trata da saúde ao Eanes, entretém-te filho e vai para a cama descansado que há milhares de gajos inteligentes a pensar em tudo neste mesmo instante, enquanto tu adormeces a não pensar em nada, milhares e milhares de tipos inteligentes e poderosos com computadores, redes de policia secreta, telefones, carros de assalto, exércitos inteiros, congressos universitários, eu sei lá! Podes estar descansado que o Teng Hsiao-ping está a tratar de ti com o Jimmy Carter, o Brezhnev está a tratar de ti com o João Paulo II, tudo corre bem, a ver quem se vai abotoar com os 25 tostões de riqueza que tu vais produzir amanhã nas tuas oito horas. A ver quem vai ser capaz de convencer de que a culpa é tua e só tua se o teu salário perde valor todos os dias, ou de te convencer de que a culpa é só tua se o teu poder de compra é como o rio de S. Pedro de Moel que se some nas areias em plena praia, ali a 10 metros do mar em maré cheia e nunca consegue desaguar de maneira que se possa dizer: porra, finalmente o rio desaguou! Vão te convencer de que a culpa é tua e tu sem culpa nenhuma, tens tu a ver, tens tu a ver com isso, não é filho? Cada um que se vá safando como puder, é mesmo assim, não é? Tu fazes como os outros, fazes o que tens a fazer, votas à esquerda moderada nas sindicais, votas no centro moderado nas deputais, e votas na direita moderada nas presidenciais! Que mais querem eles, que lhe ofereças a Europa no natal?! Era o que faltava! É assim mesmo, julgam que te levam de mercedes, ora toma, para safado, safado e meio, né filho? Nem para a frente nem para trás e eles que tratem do resto, os gatunos, que são pagos para isso, né? Claro! Que se lixem as alternativas, para trabalho já me chega. Entretém-te meu anjinho, entretém-te, que eles são inteligentes, eles ajudam, eles emprestam, eles decidem por ti, decidem tudo por ti, se hás-de construir barcos para a Polónia ou cabeças de alfinete para a Suécia, se hás-de plantar tomate para o Canada ou eucaliptos para o Japão, descansa que eles tratam disso, se hás-de comer bacalhau só nos anos bissextos ou hás-de beber vinho sintético de Alguidares-de-Baixo! Descansa, não penses em mais nada, que até neste país de pelintras se acho normal haver mãos desempregadas e se acha inevitável haver terras por cultivar! Descontrai baby, come on descontrai, afinfa-lhe o Bruce Lee, afinfa-lhe a macrobiótica, o biorritmo, o hoscópio, dois ou três ovniologistas, um gigante da ilha de Páscoa e uma Grace do Mónaco de vez em quando para dar as boas festas às criancinhas! Piramiza filho, piramiza, antes que os chatos fujam todos para o Egipto, que assim é que tu te fazes um homenzinho e até já pagas multa se não fores ao recenseamento. Pois pá, isto é um país de analfabetos, pá! Dá-lhe no Travolta, dá-lhe no disco-sound, dá-lhe no pop-chula, pop-chula pop-chula, iehh iehh, J. Pimenta forever! Quanto menos souberes a quantas andas melhor para ti, não te chega para o bife? Antes no talho do que na farmácia; não te chega para a farmácia? Antes na farmácia do que no tribunal; não te chega para o tribunal? Antes a multa do que a morte; não te chega para o cangalheiro? Antes para a cova do que para não sei quem que há-de vir, cabrões de vindouros, ah? Sempre a merda do futuro, a merda do futuro, e eu ah? Que é que eu ando aqui a fazer? Digam lá, e eu? José Mário Branco, 37 anos, isto é que é uma porra, anda aqui um gajo cheio de boas intenções, a pregar aos peixinhos, a arriscar o pêlo, e depois? É só porrada e mal viver é? O menino é mal criado, o menino é 'pequeno burguês', o menino pertence a uma classe sem futuro histórico... Eu sou parvo ou quê? Quero ser feliz porra, quero ser feliz agora, que se foda o futuro, que se foda o progresso, mais vale só do que mal acompanhado, vá mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa, filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos! Deixem-me em paz porra, deixem-me em paz e sossego, não me emprenhem mais pelos ouvidos caralho, não há paciência, não há paciência, deixem-me em paz caralho, saiam daqui, deixem-me sozinho, só um minuto, vão vender jornais e governos e greves e sindicatos e policias e generais para o raio que vos parta! Deixem-me sozinho, filhos da puta, deixem só um bocadinho, deixem-me só para sempre, tratem da vossa vida que eu trato da minha, pronto, já chega, sossego porra, silêncio porra, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me morrer descansado. Eu quero lá saber do Artur Agostinho e do Humberto Delgado, eu quero lá saber do Benfica e do bispo do Porto, eu quero se lixe o 13 de Maio e o 5 de Outubro e o Melo Antunes e a rainha de Inglaterra e o Santiago Carrilho e a Vera Lagoa, deixem-me só porra, rua, larguem-me, desopila o fígado, arreda, T'arrenego Satanás, filhos da puta. Eu quero morrer sozinho ouviram? Eu quero morrer, eu quero que se foda o FMI, eu quero lá saber do FMI, eu quero que o FMI se foda, eu quero lá saber que o FMI me foda a mim, eu vou mas é votar no Pinheiro de Azevedo se eu tornar a ir para o hospital, pronto, bardamerda o FMI, o FMI é só um pretexto vosso seus cabrões, o FMI não existe, o FMI nunca aterrou na Portela coisa nenhuma, o FMI é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio, rua, desandem daqui para fora, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe...

Mãe, eu quero ficar sozinho... Mãe, não quero pensar mais... Mãe, eu quero morrer mãe.
Eu quero desnascer, ir-me embora, sem ter que me ir embora. Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim, outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo, de quê mãe? Diz, são coisas que se me perguntem? Não pode haver razão para tanto sofrimento. E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viajem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe... Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias, lembrar o depois do adeus, e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar...


Assim mesmo, como entrevi um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o azul dos operários da Lisnave a desfilar, gritando ódio apenas ao vazio, exército de amor e capacetes, assim mesmo na Praça de Londres o soldado lhes falou: Olá camaradas, somos trabalhadores, eles não conseguiram fazer-nos esquecer, aqui está a minha arma para vos servir. Assim mesmo, por detrás das colinas onde o verde está à espera se levantam antiquíssimos rumores, as festas e os suores, os bombos de Lavacolhos, assim mesmo senti um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o bater inexorável dos corações produtores, os tambores. De quem é o carvalhal? É nosso! Assim te quero cantar, mar antigo a que regresso. Neste cais está arrimado o barco sonho em que voltei. Neste cais eu encontrei a margem do outro lado, Grandola Vila Morena. Diz lá, valeu a pena a travessia? Valeu pois.

Pela vaga de fundo se sumiu o futuro histórico da minha classe, no fundo deste mar, encontrareis tesouros recuperados, de mim que estou a chegar do lado de lá para ir convosco. Tesouros infindáveis que vos trago de longe e que são vossos, o meu canto e a palavra, o meu sonho é a luz que vem do fim do mundo, dos vossos antepassados que ainda não nasceram. A minha arte é estar aqui convosco e ser-vos alimento e companhia na viagem para estar aqui de vez. Sou português, pequeno burguês de origem, filho de professores primários, artista de variedades, compositor popular, aprendiz de feiticeiro, faltam-me dentes. Sou o Zé Mário Branco, 37 anos, do Porto, muito mais vivo que morto, contai com isto de mim para cantar e para o resto.”



Por José Mário Branco